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Notícia - 03/01/2019 - Vício em alimentos existe? 03/01/2019 - Vício em alimentos existe?

Qual alimento você acha viciante? O chocolate, as batatas fritas, os biscoitos salgados?

Já pensou em algum, certo? Bem, a pergunta tem uma pegadinha.

Porque a ciência não tem certeza (nem de longe) de que existam alimentos viciantes, e tampouco de que exista o "vício em comida".

É verdade que em nossa linguagem coloquial usamos termos como "dependência", que no campo científico têm um significado mais complexo. Servem para descrever uma situação que ninguém interpreta literalmente. Não há problema nisso.

O conflito aparece quando vamos em direção oposta, e a ciência usa o termo para determinar que existe uma nova patologia: o vício em comida.

Sejamos claros: se existe o vício em comida, é um transtorno mental que afetará a qualidade de vida dos doentes. Isso lhes causará sofrimento e interferirá em suas tarefas diárias. Razões mais do que suficientes para não tratar o assunto superficialmente.

Existe o vício alimentar?

Partimos de uma ideia básica: ninguém quer sofrer uma doença.

Mas algo curioso acontece: quando falamos sobre certos padrões de comportamento que consideramos negativos, os definimos quase instintivamente como vício.

Vício em sexo, redes sociais, internet... ou em comida.

Algumas pessoas não só se identificam, como também se definem como viciadas em celulares, em açúcar ou em chocolate. Mas essa definição geralmente é feita a partir de uma perspectiva trivial, como uma forma de expressar o quanto gostam de algo, sem a intenção de comunicar um problema real.

Porque, quando o vício é real, geralmente é acompanhado por estigma social e sentimento de vergonha (como acontece com todas as doenças mentais, infelizmente).

Se não houver patologia, o vício é exibido. Se houver doença, é ocultado.

Não é por acaso que existem associações como Alcoólicos Anônimos, Jogadores Anônimos ou Comedores Compulsivos Anônimos: as pessoas não costumam expor a dependência de álcool, jogos de azar ou problemas reais com a comida.

Mas, enquanto a dependência de substâncias como o álcool, a nicotina e outras drogas está perfeitamente caracterizada e pode ser diagnosticada, a comunidade científica não chegou a um consenso sobre a dependência alimentar.

Instintivamente, quase sem questionar, diríamos que alguns alimentos desencadeiam comportamentos alimentares compulsivos, e que esses são muito semelhantes aos comportamentos viciantes.

Algo que, longe de ser escondido, é usado até mesmo como apelo publicitário. "Tente comer apenas um" ou "Por que você não pode comer apenas um?" são as frases que acompanham alguns salgadinhos há mais de 30 anos e que, claramente, aludem sem tabus à perda de controle.

Por que não falar então abertamente sobre o vício em comida? Por que acaba sendo polêmico e há divergências?

Parte da comunidade científica acredita que há provas suficientes para dizer que não há vício em comida, e até desenvolveram ferramentas para avaliar essa dependência [Food Craving Questionnaire, Dutch Eating Behavior Questionnaire, Three Factor Eating Questionnaire, Power of Food Scale e, a mais específica, a Yale Food Addiction Scale (YFAS, sigla em inglês de Escala de Compulsão Alimentar de Yale) e sua atualização.

Várias razões sugerem que, de fato, a dependência alimentar pode ser uma nova patologia, já que tem semelhanças com outros vícios:

• Alterações biológicas baseadas principalmente em modificações do circuito de recompensa cerebral. Os alimentos muito palatáveis, como os ultraprocessados (e sim, alguns compostos, como o açúcar), parecem desempenhar um papel importante neste fenômeno, e um estudo realizou um teste que mede a abstinência produzida pelos ultraprocessados (embora seja um campo de pesquisa incipiente). As alterações no circuito de recompensa estão sendo estudadas em pessoas obesas, porque são mais sensíveis e têm maior prevalência de dependência medida com a ferramenta YFAS. É importante porque poderíamos estar diante de uma nova abordagem de tratamento.

• Mudanças comportamentais: recaídas ou incapacidade de parar de comer.

• Alterações psicológicas: perda de controle, preocupação com comida.

No entanto, ainda não há certeza de que se trata de uma nova doença, pois várias dessas características ocorrem em alguns transtornos alimentares menos conhecidos do que a anorexia e a bulimia, mas perfeitamente caracterizados e incluídos nos manuais diagnósticos mais utilizados: o ICID-11 da OMS e o DSM-5 da Associação Americana de Psiquiatria.

É o caso do transtorno de compulsão alimentar, da síndrome alimentação noturna ou da hiperfagia em distúrbios psicológicos, nos quais podem ser reconhecidos padrões alimentares anormais que se encaixariam em alguns dos critérios dos vícios: episódios recorrentes de compulsão alimentar em grandes quantidades, perda de controle, mal-estar posterior, ingestão excessiva em resposta ao estresse...

A ciência deve decidir, com base nas evidências mais sólidas disponíveis, se o vício em comida é realmente uma nova doença que não pode ser encaixada em nenhuma das já descritas.

O que diz a ciência

O termo "vício alimentar" apareceu pela primeira vez na literatura científica em 1956, mas publicações sobre o assunto aumentaram exponencialmente desde 2009.

As revisões sistemáticas mais recentes concordam que não há consenso: o conceito de "vício alimentar" não foi estabelecido ainda e é prematuro considerá-lo uma nova patologia, embora evidências indiquem que alguns alimentos, especialmente os ultraprocessados, têm maior potencial viciante.

Por que vemos notícias sensacionalistas sobre o vício em comida?

O que na ciência necessita de argumentação sólida e é expressado com cautela, para o público passa a ser uma certeza categórica na forma de reportagens de impacto, que são endossadas por estudos científicos e ilustradas com as seguintes "chocantes" descobertas:

• camundongos alimentados intermitentemente com açúcar desenvolvem alterações neurológicas e comportamentais semelhantes às que ocorrem no vício em drogas. A manchete, claro, diz que "o açúcar é tão viciante quanto a cocaína". Impacto assegurado.

• técnicas de neuroimagem, que permitem ver em tempo real as mudanças que ocorrem no sistema nervoso central, descobriram que as drogas e alimentos produzem respostas semelhantes em áreas do cérebro relacionadas aos circuitos de recompensa.

Isso permite concluir que a comida provoca um vício como as drogas? De forma alguma.

Primeiro porque, como uma revisão sistemática indica, estudos em animais são apenas o ponto de partida da pesquisa científica, e os resultados que relacionam certos alimentos ao desenvolvimento de comportamentos viciantes não foram replicados em humanos.

E sobre as imagens que mostram a atividade das áreas cerebrais diante de diferentes estímulos (drogas ou alimentos), uma meta-análise indica que as drogas agem nos receptores do circuito de recompensa, os mesmos receptores que produzem sensações prazerosas relacionadas à alimentação ou ao sexo. Mas só porque as drogas e alimentos ativam as mesmas áreas do cérebro, isso não significa que a comida produza dependência; é uma resposta natural para perpetuar um comportamento necessário à sobrevivência. Para falarmos em vício, uma reação anormal deve ocorrer, o que não acontece.

Para concluir, não se pode ignorar um fato diferencial importante em relação aos alimentos e sua ingestão: em vícios conhecidos, a substância ou o comportamento viciante são dispensáveis e podem ser evitados, mas isso não é possível com a comida. Os alimentos são essenciais para a sobrevivência.

Parte do tratamento da pessoa que sofre de alcoolismo, vício em jogos ou dependência de uma droga consiste em evitar a substância e controlar o meio em que vive. Isso não pode ser feito com os alimentos: a pessoa "viciada" (se é que podemos usar o termo) terá que continuar relacionando-se com a comida por toda sua vida.

Fonte: El País
 
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